Foi confirmado pelo Vaticano que o Papa Francisco canonizará os 30 "mártires do Rio Grande do Norte" no dia 15 de outubro. A cerimônia será realizada na Praça São Pedro e começará às 10h15 (6h15 no horário de Brasília).

 

Durante a missa, o Pontífice declarará santos os beatos Padres Ambrósio Francisco Ferro e André de Soveral, juntamente com Mateus Moreira e seus 27 companheiros, mortos no ano de 1645, em ataques ocorridos em julho e outubro daquele ano. Todos foram assassinados por holandeses nos chamados “Massacres de Cunhaú e Uruaçu”, que aconteceram nas atuais cidades de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante, ambas no Rio Grande do Norte.

 

A notícia da canonização já havia sido anunciada no dia 3 de abril deste ano pelo Papa. Agora, há a confirmação da data. A história do grupo é contada no livro "Beato Mateus Moreira e seus Companheiros Mártires", do Monsenhor Francisco de Assis Pereira.

 

Nele, o autor relata que no dia 16 de julho de 1645, na então cidade de Cunhaú (Canguaretama), 69 pessoas foram assassinadas durante uma missa celebrada pelo padre André de Soveral. Já no dia 3 de outubro daquele mesmo ano, outro grupo de católicos foi assassinado durante uma missa em Natal, na capital do estado. De lá, o sacerdote Ambrósio Francisco Ferro foi levado para a cidade de Uruaçu (São Gonçalo do Amarante) e assassinado junto a outros 80 fiéis.

 

 

Novos Santos do Brasil

 

De acordo com Mons. Pereira, todos foram mortos porque os holandeses não aceitavam a prática do catolicismo nas áreas por eles dominadas. Ainda segundo o relato do autor da obra, um dos camponeses mortos, chamado de Mateus Moreira, repetia a frase "Louvado seja o Santíssimo Sacramento" antes de ter seu coração arrancado pelas costas.

 

Além de Moreira, os 27 leigos que serão canonizados são:

 

Antônio Vilela Cid, Antonio Vilela e sua filha (identificada apenas como uma criança do sexo feminino), Estêvão Machado de Miranda e duas filhas (também não identificadas por nome, mas uma delas tinha apenas alguns meses), Manoel Rodrigues de Moura e sua esposa (também não identificada por nome), João Lostau Navarro, José do Porto, Francisco de Bastos, Diogo Pereira, Vicente de Souza Pereira, Francisco Mendes Pereira, João da Silveira, Simão Correia, João Martins e seus sete companheiros (identificados apenas como um grupo de jovens que se recusaram a lutar pela Holanda contra Portugal), a filha de Francisco Dias - apesar do nome de Francisco não estar entre as vítimas é provável que ele tenha morrido junto à filha, identificada apenas como uma criança -, Antônio Baracho e Domingos de Carvalho.

 

As causas das mortes dos mártires foram diversas, sendo alguns assassinados por espadas, outros por espancamento e mutilações e alguns tendo sido queimados vivos.

 

Para que sejam canonizados, eles não necessitaram nenhum milagre, apenas o parecer positivo dos membros da Congregação para as Causas dos Santos, que reiterou o assassinato por "ódio à fé".