A quantidade de roubos contra pedestres no réveillon de Copacabana aumentou 33% este ano em relação à virada de 2016 para 2017. E também atingiu o patamar mais alto dos últimos quatro anos. Um levantamento feito pelo EXTRA com base em dados da Polícia Civil revela que foram registradas 27 ocorrências desse tipo no bairro entre 31 de dezembro e 1º de janeiro. Do total de crimes, apenas dois não ocorreram no intervalo entre 18h do dia 31 e 6h do dia 1º. Um terço dos crimes aconteceu na areia da praia.

Também foram registrados, na virada, 11 roubos de celulares e 13 contra turistas em Copacabana — a Polícia Civil contabiliza separadamente crimes contra turistas e contra os demais pedestres. Quanto aos furtos, há registros de 133 crimes do tipo contra pedestres nos dois dias: 59 contra turistas e 92 de telefones celulares.

 

 

No total, 335 pessoas foram roubadas ou furtadas no bairro da Zona Sul durante o réveillon — uma média de um registro a cada 10 minutos. Do total de crimes, 88, ou 26%, aconteceram das 18h do dia 31 às 6h do dia 1º na praia. O número total de crimes na virada, entretanto, pode ser ainda maior: o levantamento do EXTRA levou em consideração os registros feitos em delegacias até o último dia 4; como não há prazo para uma vítima registrar crimes, outros casos ainda podem ser adicionados ao sistema da polícia.

Em quase um terço dos registros, as vítimas apontaram um endereço exato como o ponto onde o crime aconteceu: o número 1.702 da Avenida Atlântica, onde fica o Copacabana Palace. O local foi apontado como referência por 106 vítimas de roubos ou furtos na virada.

Do total de registros feitos na festa em Copacabana, pouco mais da metade já tem investigações suspensas uma semana depois do evento. Ao todo, 175 crimes, ou 52%, estão com inquéritos parados, sem nenhum policial responsável por colher novas provas. Somente em três casos, ou menos de 1%, os autores do crime foram identificados. Nos três, os criminosos foram presos em flagrante.

Rio teve dez homicídios ente os dias 31 e 1º

Enquanto cariocas e turistas festejavam a chegada de 2018, o Rio registrou dez assassinatos. Entre 31 de dezembro e 1º de janeiro, sete pessoas foram mortas em bairros da Zona Norte, e três na Zona Oeste. Desse total, oito homicídios aconteceram entre 18h do dia 31 e 6h do dia 1º. O bairro com mais ocorrências do tipo foi o Méier, que registrou três casos.

Ao todo, oito dos crimes foram cometidos com armas de fogo. Um deles foi cometido por um policial e ocorreu durante uma operação no Jacarezinho, na Zona Norte, na manhã do dia 1º. Uma das vítimas foi morta com uma arma branca. Não há informações sobre como a vítima restante foi assassinada.

No período analisado, 182 pedestres foram assaltados em toda a cidade, uma a cada 20 minutos. O bairro que registrou mais ocorrências desse tipo foi Copacabana, com 27 casos, seguido por Barra da Tijuca, com 11 registros, e Centro, com 10.

Também foram registrados 123 roubos de carros e outros 16 de motos na cidade. A Pavuna, na Zona Norte, lidera o ranking de bairros com mais crimes do tipo no período, com 14 registros.

Mesmo efetivo

Este ano, o réveillon de Copacabana teve, segundo a PM, um efetivo de 1.900 policiais militares — número parecido com o do ano passado, quando a Polícia Militar mobilizou 1.910 agentes. Segundo o comando da corporação, foram mobilizados, além dos 1.822 PMs regulares, equipes da Corregedoria, da Inteligência, do Comando da Capital e do Estado Maior no policiamento de rua. Também foram usadas 64 viaturas.

12 mil PMs

Em todo o estado, a Polícia Militar empregou 12.752 policiais e 1.393 viaturas no policiamento do réveillon, com atenção especial para a orla do Rio, Niterói, Região dos Lagos e Costa Verde. O número é 19% maior do que o utilizado há um ano, quando o esquema de policiamento contou com 10.694 policiais.

Férias canceladas

Para reforçar o policiamento durante as festas, a PM decidiu suspender as férias de cerca de 2 mil PMs. Esses agentes voltaram ao trabalho no dia 30 e só voltaram às férias depois da virada, no dia 2. A prefeitura estima que cerca de 3 milhões de pessoas participaram da festa em Copacabana.