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Guerrero se diz indignado com suspensão:

Guerrero se diz indignado com suspensão: "Quero jogar já"

Indignação e inocência. São estas as palavras mais usadas por Paolo Guerrero para descrever seu momento. Em entrevista exclusiva ao Fantástico, o atacante reforçou não ter culpa na ingestão da substância benzoilecgonina (principal metabólito da cocaína), detectada no exame antidoping realizado após a partida entre Argentina e Peru, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. O jogador admite ter ingerido alguns chás enquanto esteve concentrado com a seleção, mas garante não fazer uso de drogas e se mostra revoltado com a punição aplicada pela Fifa - um ano de suspensão. A próxima instância para recurso é o Tribunal de Apelação da Fifa. A seguinte – e última – é a Corte Arbitral do Esporte. A defesa espera a Fifa entregar a fundamentação da decisão para recorrer, o que deve acontecer semana que vem. A expectativa da defesa de Guerrero é de que o caso seja encerrado até fevereiro. Confira os principais trechos da entrevista de Guerrero ao Fantástico - Falar de doping é muito forte. Muitas pessoas não sabem, e por isso falam do consumo de cocaína, mas eu quero esclarecer um pouco aquilo que está se falando. O meu resultado não foi positivo. Há um processo de investigação. Muitas pessoas falam cocaína. A substância tem alguns componentes, mas já falam em cocaína. Quando começou o processo de investigação, a Fifa já me puniu por 30 dias. Muito rápido. Uma coisa que no primeiro momento é um pouco injusta. Não podiam suspender tão rápido com um processo em investigação. Eu acho que pela repercussão e porque se tratou de mim, agiram dessa forma. Acho um ponto injusto. Contaminação - Os jogadores de futebol estão totalmente desprotegidos. Tenho que ter cuidado com o peixe que eu como, com a água que eu tomo. Porque tudo pode vir contaminado. A quantidade que apareceu no meu exame é muito baixa. A Fifa descartou o uso de alguma droga. Está cientificamente confirmada a contaminação. - Não vou ser louco de tomar um chá de coca porque sei que pode me prejudicar. Pergunto sempre o que o posso e o que o não posso tomar, o creme que posso botar, o xampu que posso usar. Todos no Flamengo sabem disso. Como você pode agora estar tranquilo? Se um peixe estiver contaminado, como faz? Em quem pode acreditar? Uso de drogas - Deixo claro que não consumo cocaína, nunca na minha vida. Tenho 17 anos de carreira profissional, passei por milhares de controles. Só por Corinthians e Flamengo são 17 controles. No dia 14 de setembro eu passei por meu último controle pelo Flamengo, na Sul-Americana. Nunca tive vontade de consumir droga. Não vou ser uma pessoa que possa me prejudicar. Sempre me dediquei, sou profissional. Fico paciente, tento estar tranquilo porque sei da pessoa que sou. - Estou demonstrando inocência. Não consumi droga nem consumi nada sendo negligente. Está tudo aí para a Fifa resolver. Agora como eu faço? Eles me suspenderam um ano. Como eu resolvo isso? Ingestão de chás - Tomei um chá de anis no Peru porque estava com indigestão e na Argentina um chá preto com limão e mel porque estava com gripe. Não estou culpando ninguém, mas a substância pode estar numa jarra, na xícara, no sachê do chá... Pode estar numa dessas coisas. - A substância não ajuda a performance. Então nem tem como. Pela quantidade dá para ver que não tem consumo de droga, e a Fifa já descartou isso. A substância não é um estimulante. Então não tem como eu ser culpado. Seria só uma burrice. Pensou em sabotagem? - Claro. Depois que tive a notícia da suspensão por 30 dias, a primeira coisa que passou na minha cabeça foi isso: estão querendo me prejudicar para não jogar a repescagem, para não estar na final da Sul-Americana. Claro que passa, mas tenho que demonstrar minha inocência. Sou inocente, não consumi absolutamente nada. Estou para jogar uma Copa e vou fazer isso? Não tem como. Pensei: estão de sacanagem, querem me sacanear. Não querem que jogue a repescagem, querem tirar o Peru da Copa... Veio na minha cabeça tanta coisa.   Guerrero em entrevista ao Fantástico (Foto: Fantástico) Reação - Quando fiquei sabendo da suspensão, para mim foi muito forte. Pensei primeiro no prejuízo moral e nos meus pais. Me preocupo mais com eles, porque eu consigo aguentar tudo. Mas meus pais sentirem que estão passando por um momento ruim, para mim é a pior coisa. Agora estão mais tranquilos porque já sabem o que aconteceu, mas a primeira coisa que viram foi cocaína. Sabem que não estou feliz porque não estou jogando futebol. E eles sabem que minha vida é o futebol. Estou suspenso, já deixei de estar em duas partidas que eram as mais importantes da minha vida e não estou numa final. É tanto prejuízo que estou passando agora que é um momento complicado. - Quando soube que estava suspenso por um ano, aquele dia foi mortal. Porque a primeira coisa que me veio foi: não vou poder jogar uma final. Me tiraram de um jogo tão importante para mim e para minha carreira. Passou, e agora tenho que ser forte para continuar demonstrando minha inocência. Existe um ditado no Peru: quem não deve não teme. Acredita na absolvição? - Com certeza. Como não? Não fiz nada, sou inocente e estou provando. Já falei na audiência. Está tudo claro para saberem que é uma contaminação e verem que é uma contaminação. Não há muita coisa para pensar. Tinha certeza de que saí absolvido (da audiência na Suíça). Estava pensando em jogar os dois jogos da final Sul-Americana. Eu achava que seria absolvido lá porque está claro. Não tem muito o que pensar. Os números cientificamente estão muito claros. Treinos no Nino do Urubu - Estava treinando forte, sozinho que é o pior. Imagina treinar sozinho no clube, não ver ninguém. Não ver meus companheiros e só treinar com preparador físico e eu no campo. Chutar ao gol e não ter goleiro. Sabe o que é isso? Para mim é a pior coisa que estou passando na minha vida.   Guerrero diz que vê agora a Copa do Mundo em segundo plano (Foto: Fantástico)   Futuro no Flamengo - Tenho contrato com o Flamengo, estou muito confiante de que vai resolver porque está claro para mim e para os meus advogados. Não sei a parte do Flamengo, mas espero no próximo ano estar jogando normalmente. Esperança de disputar a Copa do Mundo? - Jogar a Copa para mim agora passou a segundo plano. A primeira coisa que quero agora é jogar pelo Flamengo no começo do ano. Não posso falar da Copa porque quero jogar já. Se acabasse hoje a minha suspensão eu queria jogar essa final. Estava me preparando para jogar os dois jogos da final. Então não estou pensando em reduzir a pena, pensando em ser absolvido porque não fiz nada. Sou inocente. Sentimento - Estou muito indignado. Me custa a acreditar na injustiça que estou passando. Já tive muito prejuízo moral. Mas não por mim, e sim pelos meus pais. Tive muito prejuízo profissional e estou indignado que a Fifa esteja se manifestando dessa forma. Se excederam os códigos. Eles não podiam ter me suspendido tão rapidamente assim, e acho que estão sendo muito injustos comigo.
Zé Roberto causa choro coletivo no vestiário, faz Moisés tremer e ouve: 'Vou morrer de saudade'

Zé Roberto causa choro coletivo no vestiário, faz Moisés tremer e ouve: 'Vou morrer de saudade'

Zé Roberto chorou e fez vários jogadores chorarem no vestiário do Allianz Parque antes da vitória do Palmeiras sobre o Botafogo, por 2 a 0, na noite de segunda-feira. Momentos antes de sua partida de despedida, o veterano reuniu os companheiros pela última vez na carreira, fez um discurso inflamado e pediu que jogassem por ele. Alguns, como Jailson e Tchê Tchê, cantaram para o amigo a música "Você", de Tim Maia: "Vou morrer de saudade... Não, não vá embora". O preparador físico Omar Feitosa e atletas como Mayke, Luan, Deyverson, Willian e Moisés não conseguiram segurar as lágrimas durante a preleção. O camisa 10, aliás, admitiu que não jogou bem por não ter conseguido se concentrar na partida. - Foi um dia atípico, não controlei minha emoção, não conseguia pensar no jogo, só pensava no Zé. Principalmente no começo do jogo, eu estava em campo, mas não conseguia pensar muito no jogo. Hoje minhas pernas tremeram mais do que no jogo contra o Barcelona, quando fui bater aquele pênalti decisivo. Aí você vê a dimensão e a responsabilidade que era conquistar uma vitória - disse Moisés, que ainda estava chorando ao entrar no gramado. - Eu me emocionei, não tenho vergonha de falar. Me emocionei no vestiário, aí controlei um pouco mais, mas chegou na hora de fechar de novo, e ele falou que precisava da gente. Fiquei uns cinco minutos chorando, toda vez que olhava para ele batia essa memória. Não tinha coisa melhor para a gente fazer do que dar uma vitória para ele. Por tudo o que ele fez, pela carreira vitoriosa, ele merecia terminar com uma vitória para ter essa festa que teve. Então realmente foi um dia marcante, e vou colocar no currículo que participei da despedida do Zé Roberto. É como um título - acrescentou. Em seu discurso, o camisa 11 disse que o futebol foi sua vida e aconselhou os colegas a valorizarem cada momento, porque o fim chega rápido. Ele colocou uma lata de lixo no meio da roda e colocou medalhas e credenciais dentro dela para mostrar que isso, no esporte, um dia é esquecido. Segundo Zé, o legado que fica é o da raça, da vontade de ser um jogador profissional. - É emocionante. Ele falou algumas palavras antes de começar o jogo que foram de arrepiar, teve jogador que chorou muito. O que ele falou para nós foi muito emocionante. Se vocês estivessem lá dentro, veriam. As últimas palavras dele no vestiário foram: "deem essa vitória para mim" - disse Keno. - Ele tem esse dom da palavra. Quando ele fala todo mundo fica emocionado. Não foi diferente. Todos os jogadores agradecem por terem convivido com ele, por ele ter nos ajudado. O Palmeiras agradece também por ele ter jogado aqui. Espero que ele não nos abandone e de vez em quando dê uma passada no CT para dar um abraço. Quem sabe no futuro até possa trabalhar no Palmeiras - finalizou Dudu. Zé Roberto dará uma entrevista coletiva nesta terça-feira, às 12h, na Academia de Futebol, e na sequência deve ser liberado para sair de férias.