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BRASIL

Moro faz avaliação positiva dos três anos da Lava Jato

Moro faz avaliação positiva dos três anos da Lava Jato

O juiz federal Sérgio Moro disse que as pesquisas perdem tempo quando colocam seu nome na lista de opções de possíveis candidatos à sucessão presidencial. “Eu não serei candidato. Existem outras maneiras de ajudar o país… o caminho que eu escolhi foi a magistratura.” A afirmação foi feita em entrevista concedida ao jornalista Gerson Camarotti, comentarista político da “GloboNews”, exibida na noite desta terça-feira 17 no canal pago. Na entrevista, gravada em Curitiba, Moro fez uma análise dos 3 anos e meio da Lava Jato e falou também sobre o futuro da operação, a reação da classe política e o combate à corrupção no Brasil. Na entrevista, Moro avaliou como positivo o balanço dos três anos da Operação Lava Jato. “Considerando os casos já julgados, hoje nós temos várias condenações. Várias pessoas que estão cumprindo pena de prisão e pessoas que nós nem imaginávamos que poderiam responder pelos seus crimes. Então balanço é positivo”, afirmou. Questionado sobre a permissividade do brasileiro em relação à corrupção, Moro afirmou que não existe governo competente e desonesto. “Acredito que esse trabalho que vem sendo realizado… vai levar ao crescimento dessa percepção de que a corrupção nos deixa pra trás, atrasa o nosso desenvolvimento, compromete as nossas instituições… Nós temos direito a ter um governo honesto.” Para ele, a Operação Lava Jato não vai acabar com a corrupção. “Isso não vai acontecer. É só o começo. A raiz desse problema está entre outras coisas no loteamento de cargos públicos, nos políticos que não estão preocupados em acabar com isso. Nós é que temos que nos perguntar: vamos permitir isso continuar e não vamos fazer nada?” Sobre a importância do julgamento do mensalão para a Lava Jato, Moro disse que esse processo mostrou que mesmo os poderosos, mesmo aqueles que têm poder político devem responder por seus atos. “Foi um momento muito importante na história jurídica e talvez política do Brasil, porque pela primeira vez um tribunal como o Supremo Tribunal Federal, com toda a visibilidade que tem o STF, tomou uma decisão difícil dentro de um processo judicial e condenou pessoas que ocupavam cargos elevados na administração pública e também pessoas poderosas do ponto de vista econômico pela prática de crime de corrupção e lavagem. Isso teve uma influência muito grande em todo o sistema de justiça e em toda a sociedade… Então o julgamento do STF certamente influenciou a Operação Lava Jato. Essa postura mais rígida do Judiciário em relação a esses crimes de corrupção.”
Crise econômica deu fôlego ao avanço dos atacarejos

Crise econômica deu fôlego ao avanço dos atacarejos

A expansão dos atacarejos – formato de supermercado que vende tanto no atacado quando no varejo – acompanhou o agravamento da crise econômica nos últimos anos, que afetou a renda e emprego dos consumidores. O número de atacarejos saltou 16,92% de 2015 para 2016, saindo de 266 para 311 lojas, segundo o ranking das 500 maiores empresas do setor da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). “Esse formato começou a ganhar destaque em 2012 e atingiu seu ápice, como opção atraente para quem procura preço, entre 2014 e 2105, quando a crise começou a impactar as pessoas”, diz Rodrigo Mariano, gerente de economia e pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (Apas). Mas os sinais de recuperação econômica podem reduzir a preocupação dos consumidores com economia. “Pode ser que o público fique menos atento ao preço e passe a valorizar mais a comodidade, afirma Antonio Carlos Ascar, especialista no setor varejista. Por enquanto, as grandes redes mantêm planos de ampliação das lojas atacarejistas. O Carrefour possui 164 unidades da bandeira Atacadão. Desse total, sete foram abertas em 2017. O Grupo MGB – dono das bandeiras Mambo e Giga – conta com seis atacarejos e pretende inaugurar mais um neste ano. O plano é chegar a 2021 com mais de 20 lojas. Esse investimento parece se traduzir em receita. O Assaí, pertencente ao Grupo Pão de Açúcar (GPA), por exemplo, já ultrapassou as bandeiras Extra e Pão de Açúcar, também do mesmo grupo. A maior fonte de receita do grupo MGB – dono das bandeiras Mambo e Giga – também vem do atacarejo. Segundo André Nassar, CEO do grupo MGB, André Nassar, 70% do faturamento vem das lojas de atacarejo do Giga. “Se pensarmos em volume, a participação é ainda maior, chega a 90%. Existe a facilidade de não precisar de cadastro nem de um valor mínimo para poder comprar nos atacarejos. Se quiser comprar uma caixa, pode. Se quiser levar uma lata, também pode”, diz Nassar. Segundo Rodrigo Mariano, muitas redes transformaram seus hipermercados em atacarejos. “Nem todo atacarejo é uma loja nova, recém-construída. Muitas eram hipermercados.” Ele diz que a expectativa do setor é fechar o ano com um crescimento na receita de 1% a 1,5%. Nos segmentos vizinhança e atacarejo, o avanço será maior. “Muito do aumento desses formatos está atrelado à abertura de novas lojas. Não é um crescimento nas mesmas lojas, mas em todas elas.” Futuro on-line Para Nassar, do MGB, o futuro do varejo passa pela combinação de vários formatos de loja com o e-commerce. Por isso, ele planeja abrir um canal de vendas on-line para o Giga. “No futuro, o consumidor vai fazer a compra de última hora perto de casa. As compras recorrentes, que ele sabe que vai fazer todo mês, deixará para fazer pela internet”, aposta Nassar. Claudio Felisoni, coordenador-geral do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (FIA), diz que existem compras que não dependem dos sentidos do consumidor. “Ele não precisa estar perto, sentir, cheirar. São compras que podem ser feitas pela internet.” Mas ele não acredita no fim dos supermercados tradicionais. “Deve haver um processo gradativo de redução de tamanho. Não tem sentido manter grandes estoques, ainda mais com a valorização do metro quadrado.” Loja Giga, o atacarejo do grupo MGB (//Divulgação)