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As transferências de clubes brasileiros e estrangeiros disparam em 2017 – por quê?

As transferências de clubes brasileiros e estrangeiros disparam em 2017 – por quê?

O futebol brasileiro cresce consideravelmente no mercado de transferências em 2017. Não só os clubes passaram a arrecadar mais com atletas vendidos para times estrangeiros, muito mais, também aumentaram os valores investidos por eles em contratações de jogadores vindos do exterior. Na comparação com 2016, as cifras mais que dobraram, conforme dados apurados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e antecipados por ÉPOCA. Mas calma lá com a euforia. Os percentuais otimistas têm a ver com alguns bons exemplos nacionais, sim, mas sobretudo com o futebol europeu. Nas “exportações”, entre atletas de clubes brasileiros que deixaram o país para seguir a profissão no exterior, a quantia em jogo mais que dobrou. Foi de R$ 386 milhões em 2016 para R$ 957 milhões em 2017 – num período que compreende de 1º de janeiro a 20 de julho em ambos os anos. São quase 150% a mais. Num ano em que o Flamengo bateu recorde de venda mais cara do futebol brasileiro, ao liberar Vinicius Júnior para o Real Madrid por estonteantes R$ 164 milhões, o crescimento parece uma obviedade. Mas não é só isso. Há fatores muito distantes do futebol brasileiro que geram um efeito dominó e ajudam a explicar a bonança. O Lille, por exemplo, foi adquirido em janeiro deste ano por um novo dono. O empresário espanhol-luxemburguês Gérard Lopez chegou com o discurso de restaurar glórias passadas do clube, que fora bicampeão francês entre os anos 1940 e 1950, e para isso começou a injetar dinheiro. Os brasileiros sentiram o efeito na hora. O Santos vendeu Thiago Maia. O São Paulo, Luiz Araújo e Thiago Mendes. O Avaí mandou Gabriel. Ao todo, o Lille torrou R$ 126 milhões de uma vez só em brasileiros. O futebol europeu domina as “importações” de atletas brasileiros. Além do Lille, outros clubes turbinados por grana estrangeira foram ao mercado buscar reforços. Pep Guardiola pediu, e o Manchester City, de um bilionário árabe, pagou R$ 49 milhões para tirar Douglas Luiz do Vasco. O holandês Ajax, que se deu bem depois que vendeu atletas para mercados maiores, tinha bala na agulha para tomar David Neres do São Paulo por R$ 50,7 milhões. Conforme o dinheiro gira mais rápido na Europa, provavelmente a maior compradora de “pé de obra brasileiro”, o dinheiro gira mais rápido também no Brasil. Isso ajuda a explicar por que as “importações”, de jogadores vindos do exterior cujos direitos foram adquiridos por clubes brasileiros também dispararam. O montante investido passou de R$ 189 milhões em 2016 para R$ 349 milhões em 2017, ainda segundo os números da CBF. Um aumento de 85%. O pacotão de jogadores vendidos pelo São Paulo para o Lille e outros europeus, que lhe rendeu R$ 161,5 milhões em 2017, possibilitou aos paulistas “devolverem" R$ 21,1 milhões em contratações de estrangeiros: Petros e Aderllan vindos da Europa, Arboleda e Jonatan Gómez oriundos da América do Sul. O Santostomou o mesmo caminho. Pegou R$ 24 milhões da venda de Thiago Maia e “importou” Bruno Henrique, Cleber e Vladimir Hernández. As finanças de Palmeiras e Flamengo também têm seu protagonismo no mercado de transferências. O paulista partiu para o comércio estrangeiro com um cheque em branco assinado pela Crefisa, maior patrocinadora de um clube só, e torrou R$ 75,7 milhões em jogadores vindos de fora. O maior dos investimentos, o colombiano Miguel Borja, ainda não vingou. O carioca tem o maior contrato de direitos de transmissão para amparar suas apostas no mercado, mais comedidas do que as palmeirenses, mas ainda assim superiores às de adversários. Foram quatro atletas contratados por R$ 39,4 milhões. O principal deles Éverton Ribeiro. Ambos puderam investir mais agressivamente porque estão com as contas em ordem. A bonança no mercado de transferências dá uma nova chance aos cartolas brasileiros. Mais uma. O dinheiro que vem dos bilionários europeus, se usado inteligentemente, pode sanar dívidas e possibilitar alguns investimentos. É a saída mais fácil em tempos de crise econômica no país, que achata o interesse de empresas em patrocínios e tira do torcedor a condição de gastar com seu time. Dá sobrevida para que, em algum momento nos próximos anos, mais clubes alcancem situações financeiras razoavelmente confortáveis, como as de Flamengo e Palmeiras, e possam investir em “importações” sem depender do dominó que começa na Europa.  
Greve dos Correios atinge 20 estados e o DF, diz federação dos trabalhadores

Greve dos Correios atinge 20 estados e o DF, diz federação dos trabalhadores

A greve dos Correios começou às 22h de terça-feira (19) e atinge 20 estados e o Distrito Federal, segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect). A paralisação envolve os trabalhadores dos sindicatos de Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Brasília (DF), Campinas (SP), Ceará, Espírito Santo, Goiás, Juiz de Fora (MG), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Ribeirão Preto (SP), Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Maria (RS), Santos (SP), São José do Rio Preto (SP), Sergipe, Santa Catarina, Uberaba (MG) e Vale do Paraíba (SP). Segundo a Fentect, a paralisação é parcial, com redução de funcionários nas agências. Já os Correios informaram que a paralisação não afeta os serviços de atendimento e está concentrada na área de distribuição. Dos 31 sindicatos ligados à Fentect, somente três ainda não realizaram assembleia: Acre, Rondônia e Roraima. As agências franqueadas não estão participando da greve. Atualmente, são mais de 6.500 agências próprias dos Correios pelo país, além de 1 mil franqueadas. Segundo a Fentect, foram mais de 50 dias de negociação, sem sucesso. Entre os motivos da greve estão o fechamento de agências por todo o país, pressão para adesão ao plano de demissão voluntária, ameaça de demissão motivada com alegação da crise, ameaça de privatização, corte de investimentos em todo o país, falta de concurso público, redução no número de funcionários, além de mudanças no plano de saúde e suspensão das férias para todos os trabalhadores, exceto para aqueles que já estão com férias vencidas. Além da Fentect, outra federação representa os trabalhadores da categoria, a Federação Interestadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect). A entidade diz que ainda está negociando com a empresa e aguarda o fim da apresentação da proposta, marcada para esta quinta-feira (21). Agências abertas   Os Correios informaram que a paralisação parcial não afeta os serviços de atendimento e que todas as agências, inclusive nas regiões que aderiram à greve, estão abertas e todos os serviços estão disponíveis. Segundo a estatal, a paralisação está concentrada na área de distribuição — levantamento parcial realizado na manhã desta quarta mostra que 93,17% do efetivo total está trabalhando, o que corresponde a 101.161 empregados, número apurado por meio de sistema eletrônico de presença. Ainda de acordo com os Correios, as negociações com os sindicatos que não aderiram à paralisação ainda estão sendo realizadas esta semana. “Os Correios continuam dispostos a negociar e dialogar com as representações dos trabalhadores na busca de soluções que o momento exige e considera a greve um ato precipitado que desqualifica o processo de negociação e prejudica todo o esforço realizado durante este ano para retomar a qualidade e os resultados financeiros da empresa”, informou em nota.   Veja a paralisação por regiões:   Alagoas Em Alagoas, o sindicato avalia que os serviços de entrega vão ficar comprometidos. A greve, deflagrada por tempo indeterminado, é por aumento salarial e pagamento de data-base. Amapá   Agência em greve em Macapá (Foto: Divulgação/Sintect-AP) No Amapá, a greve tem adesão de funcionários do setor operacional, que inclui carteiros, motoristas e atendentes. O presidente do Sintect-AP, Decírio Belém, informou que além de Macapá, agências no interior do estado também aderiram ao movimento, nas cidades de Santana, Ferreira Gomes, Itaubal e Pracuúba. Amazonas No Amazonas, os Correios informaram que o movimento está concentrado na área de distribuição. A empresa diz que as agências estão abertas e que "90% do efetivo estão presentes e trabalhando – o que corresponde a 1074 empregados." Bahia   Trabalhadores decidiram entrar em greve em assembleia realizada em Salvador (Foto: Divulgação/Sincotelba) Na Bahia, os funcionários da empresa reivindicam reajuste salarial e melhorias em benefícios, e dizem que desde julho não conseguem entrar em acordo com os patrões. Ceará Em nota, os Correios afirmam que a paralisação dos empregados é parcial no Ceará e que não afeta os serviços de atendimento da empresa. A nota diz, ainda, o movimento está concentrado na área de distribuição — levantamento parcial realizado na manhã desta quarta-feira mostra que no Ceará, 87,9% dos empregados estão presentes e trabalhando – o que corresponde a 2.289 empregados em atividade. Espírito Santo No Espírito Santo, as informações repassadas por sindicato e pelos Correios são desencontradas. De acordo com o sindicato, 60% dos profissionais já aderiram à greve e o grupo é formado, majoritariamente, por carteiros, o que vai afetar a entrega de correspondências. Entretanto, os Correios dizem que mais de 87% dos funcionários estão trabalhando na Grande Vitória e no interior, e que a paralisação não afeta os serviços das agências. Minas Gerais Conforme os Correios, 96% dos empregados estão trabalhando em Minas nesta quarta-feira. Ainda de acordo com a empresa, as adesões se concentram em unidades operacionais da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo os Correios, todas as agências estão abertas. Em Belo Horizonte (MG), funcionários dos Correios fizeram uma passeata no centro da cidade na tarde desta quarta-feira. Pará   Carteiros são a maioria dos grevistas dos Correios (Foto: Rui da Silva/Arquivo Pessoal) Os funcionários dos Correios em Santarém, no oeste do Pará, paralisaram parcialmente e por tempo indeterminado os serviços prestados no município. A maioria dos funcionários que paralisou as atividades é de carteiros. Paraíba Na Paraíba, de acordo com o diretor do Sintect-PB, Emanuel de Sousa, durante o período de greve, os serviços de postagem e entrega de correspondências e encomendas vão ficar suspensos. As agências vão funcionar em atividade interna, sem atendimento ao público. Pernambuco   Categoria decidiu entrar em greve após assembleia na noite da terça (19) (Foto: Sintect-PE/Divulgação) Em Pernambuco, as entregas de correspondências ficam comprometidas durante o período de suspensão das atividades, segundo o Sintect-PE. Piauí No Piauí, o setor de distribuição de encomendas e entrega de correspondências está 75% paralisado, enquanto o atendimento ao público funciona parcialmente. Santa Catarina Em Santa Catarina, segundo Giovani Zoboli, secretário-geral do Sintect-SC, cerca de mil funcionários estão paralisados em todo o estado. "Cerca de 70% da parte de triagem de cartas e encomendas aderiram à greve. Os administrativos não", disse. São José do Rio Preto (SP) O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios e Telégrafos de São José do Rio Preto, que abrange mais de 100 cidades, afirma que 70% dos funcionários aderiram à paralisação, algo em torno de 120 carteiros. Triângulo Mineiro (MG) Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios e Telégrafos de Uberaba e Região (Sintect-URA), Wolnei Cápolli, os funcionários continuam com os serviços essenciais à população, mantendo um quantitativo mínimo de 30% de trabalhadores. Ainda não há um número exato de servidores que paralisaram as atividades. Vale do Paraíba (SP) A estimativa do Sintect é de que cerca de 70% dos funcionários da região do Vale do Paraíba tenham aderido à greve.   Crise nos Correios   Os Correios enfrentam uma severa crise econômica e medidas para reduzir gastos e melhorar a lucratividade da estatal estão em pauta. Nos últimos dois anos, os Correios apresentaram prejuízos que somam, aproximadamente, R$ 4 bilhões. Desse total, 65% correspondem a despesas de pessoal. Em 2016, os Correios anunciaram um Programa de Demissão Incentivada (PDI) e pretendia atingir a meta de 8 mil servidores, mas apenas 5,5 mil aderiram ao programa. Os Correios anunciaram em março o fechamento de 250 agências, apenas em municípios com mais de 50 mil habitantes, além de uma série de medidas de redução de custos e de reestruturação da folha de pagamentos.   Em abril, o presidente dos Correios, Guilherme Campos, afirmou que a demissão de servidores concursados vinha sendo estudada. Segundo ele, os Correios não têm condições de continuar arcando com sua atual folha de pagamento e contratou um estudo para calcular quantos servidores teriam que ser demitidos para que o gasto com a folha fosse ajustado. Em março, o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou que, se a empresa não promovesse o "equilíbrio rapidamente", "caminharia para um processo de privatização". A estatal alega ainda que o custeio do plano de saúde dos funcionários é responsável pela maior parte do déficit da empresa registrado nos últimos anos. Hoje a estatal arca com 93% dos custos dos planos de saúde e os funcionários, com 7%.